3.24.2016

Sobre Deus e os anjos

Postado por PriAliança às 14:29 0 comentários
Meus queridos,

faz um tempinho que eu queria me organizar pra escrever um agradecimento bem especial pra algumas pessoas. Tento fazer isso hoje, mas não sei se consigo: a correria do mestrado ainda faz minha cabeça girar fora do eixo.

Vamos tentar e ver no que dá.

Esse mês eu fiz 33 anos. Tinha tudo pra ser um aniversário triste. Eu achei que fosse ser uma data marcada pela solidão, pelo ressentimento e pela angústia.

Mas nem foi, ó!

A onda de afeto, carinho, cuidado, amparo e encorajamento que me cercou ganhou proporções de tsunami. Do início ao fim da semana eu me senti a pessoa mais querida do mundo inteiro!

(Só de relembrar já vem a vontade de chorar, hehe!)

Na terça, eu e um pedacinho dos meus Poetas divos invadimos a casa de mamãe pra fazer bagunça e comer a lasanha dela (sabe banda que faz sucesso com as mesmas canções e elas nunca perdem a graça? Pronto: mamãe é o Roupa Nova da lasanha!). Ela abriu as portas de casa às 22h30 da noite pra gente. E foi um momento tão feliz! Como eu me senti prestigiada de ter ao meu redor, numa mesa, pessoas tão queridas ÀS ALTAS HORAS DA NOITE DE UMA TERÇA-FEIRA!!! Todos cansados, todos com compromissos na manhã seguinte. E lá estavam: cantando parabéns, resenhando e detonando uma travessa inteira de lasanha.

Na quinta, de surpresa (porque a vida tem disso), acabei almoçando com minha irreverente reverenda. Ela, pra variar, tanto me deu conselhos valiosíssimos sobre a pós quanto me fez rir horrores das aventuras dela. À noite, foi a vez da minha querida e eterna patota, a mais linda, a mais barra, a mais tudo. Um espaço social onde eu nunca precisei fingir nada. Onde eu sou livre pra ser o que for e lidar com as consequências disso sem medo de ser rejeitada. O "CineClube Dom Shanshai" conseguiu se reunir inteiro (INTEIRO!!! TAVA TODO MUNDO LÁ! ISSO ACONTECE A CADA ALINHAMENTO PLANETÁRIO!!!) pra comer crepe no meu cantinho favorito de Natal, o Mahalila, e de quebra celebrar o parabéns de Tertu. Esses piscianos, eu vou te contar. Que momento prazeroso. Como eu sou agraciada por Deus por ter vocês ao meu lado.

Na sexta, almocinho com meus amigos mais contra-hegemônicos. Nunca pensei que a experiência da pós-graduação fosse vir acompanhada de tanta gente linda, generosa, franca e com tanto talento para SAMBAR NA CARA DA SOCIEDADE como esses meus amigos! Até a póbi da buxudinha Wigna apareceu, ainda que rapidinho! E que presentinhos delicados... eles lembraram que no meu aniversário passado eu mencionei que gostava muito do Gabriela Mel e Pimenta - e num foram atrás?! Gente, olha, quanto carinho, quanto acolhimento.

Na sexta à noite, como é de lei, encontrinho familiar na Maison Seabra, salão de festas oficial da família! Que família linda eu tenho, meu Deus, como eu a amo. Como somos diferentes! Às vezes não nos compreendemos muito bem. Mas olha, família num precisa te entender não! Se ela te amar já tá ótimo. E a minha família me ama tanto! Eu sinto! Eu senti! (Tô chorando!) Mamãe fez mais duas lasanhas (tadinha!), titia fez um bolo decorado todo pensando em mim, com um gatinho de marzipã e borboletas! E os presentinhos?! Um mais especial que o outro. Isso fora o fato de que era uma sexta de noite, todo mundo devia ter mais o que fazer - mesmo assim, estavam ali do meu lado, me dizendo sem palavras "Pri, você é meio doidinha mas a gente te ama assim mesmo".

Meu sábado começou lindo, com toda a felicidade residual da semana inteira. À noite, o "grand finale": eu e os bróder no Meu Barraco Boteco e Bistrô. Algumas pessoas não puderam comparecer, como Wigna, Fabi e Henrique. Mas mesmo assim eu estava animadíssima! Foi muito lindo e muito legal: o ambiente é muito bacana, as comidinhas muito gostosas e as companhias muito "validadas", hehehe! Os presentinhos dessa noite também vieram todos acompanhados de um "silêncio" que dizia "txia Pri, a gente tá do seu lado pro que der e vier". Como eu disse no meu discurso, o provérbio que diz que "na angústia nasce o irmão" foi a chave de ouro pra fechar aquela semana. Eles eram meus amigos já e eu já tinha muito carinho por cada um. Mas toda a angústia que eu passei nos últimos meses partejou um vínculo muito mais forte.

E no domingo, descobri que o livro que eu encomendei a Evelyne quando ela viajou da última vez seria, na verdade, meu presentinho de aniversário. Me digam se eu mereço essas qualidade de amigo? <3 p="">
Em cada momento deses eu pude ouvir em cada abraço, cada lembrancinha, cada mensagem, cada parabéns, a voz de Deus me dizendo "ei, mocinha, pode até parecer que sim às vezes, mas eu nunca te deixei só". Quanta gratidão me encheu o coração por tanto amparo, tanto amor. Obrigada a todos os envolvidos, direta ou indiretamente, por me trazerem essa mensagem divina, mensagem de vida.

Obrigada. Eu amo vocês.

12.18.2015

Entre o soma e a explosão

Postado por PriAliança às 19:39 1 comentários
Eu não sei que dia é hoje,
Eu não sei que horas são:
A Rádio Relógio saiu do ar.

Hoje eu sou Macabéa
que nada sabe nem do mundo
- de si tampouco:
Hoje eu sou moça nordestina perdida na imensidão do mundo.

Não posso ser freira porque minha fé não deixa,
Não posso ser puta porque meu corpo não me pertence,
Não posso sorrir porque não lembro onde deixei meus dentes,
Não posso chorar porque o pranto é maior que os meus olhos,

Não posso querer porque não sei o quê,

A orquestra caminha para o clímax da trilha.
Nem que chegue por meio de destinos trocados
A hora da estrela não tarda,

O soma é a explosão final da estrela morrente.

1.01.2015

"Feliz 2015" ou "Por que eu posso celebrar um ano novo"

Postado por PriAliança às 10:13 1 comentários
Primeiro filme de 2015: "O filho de Deus". Faz um ano, mais ou menos, que eu e meu amor vimos e nos encantamos com o trailer. E hoje finalmente deu certo. Minha opinião?

Nunca um filme medíocre foi tão lindo.



Pontos que eu curti: Barrabás é um ativista pela liberação de Jerusalém; Maria (irmã de Marta) integra o grupo dos discípulos; João é quem narra a história, de Patmos; Judas tem um comportamento muito mais próximo de qualquer um de nós do que a gente gosta de pensar. Assim, pela ótica do cineasta, Judas pode ser você ou eu; o sacerdote que trama a morte de Jesus teme genuinamente pelo bem-estar do povo judeu (ele acha que se Jesus não for tirado logo de cena vai haver um massacre pelas mãos de Pilatos).

Pontos que eu não curti: muitas cenas que eu gostaria de ver não foram incluídas (buá); Maria está elegante demais para uma mulher pobre; falta ao roteiro (na primeira metade) uma linha que "costure" os eventos; pouca cólera na hora de revirar mesas no templo (EU GOSTO DESSA NARRATIVA COM BASTANTE IRA, ME JULGUEM, LOL); poucas lágrimas nas cenas da paixão (de Maria, Maria e João, no caso); o milagre da multiplicação dos pães é retratado como um milagre, milagre sobrenatural (eu meio que gosto da ideia de que o milagre ali foi, na verdade, o da solidariedade).

Mas é lindo. Lindo.

E permite que a gente experimente como Jesus de fato era alheio à nossa lógica. Como é lindo vê-lo confundir por meio do amor. Pedro apanha e vai revidar: "Pedro, a outra face!" Pedro defende Jesus dos soldados, corda uma orelha: "Pedro, quem vive pela espada morre pela espada!" e cura a orelha. Judas dá-lhe o beijo da traição, Jesus o acolhe. O povo todo revoltadíssimo contra Roma e os judeus que cobram imposto (qualquer semelhança não é mera coincidência, hein?): Jesus vai e chama justamente um deles (Mateus). Pegaram a mulher adulterando (sozinha, pelo visto, porque só vai ela, né?), invocam a força da lei pra começarem o apedrejamento (A LEI, QUERIDOS, A LEI) e Jesus manda um "tá aqui minha pedra pra quem não tiver pecado nenhum". Um ladrão ao lado dele na cruz - LADRÃO CRIMINOSO SAFADO BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO TEM QUE MATAR TUDINHO - e Jesus solta o clássico "hoje mesmo a gente vai se encontrar no paraíso".

O mais lindo é Jesus constrange só pelo olhar. Ninguém consegue se manter firme na própria hipocrisia diante daquele olhar. E não é um olhar de acusação: é um olhar de amor. Amor, apenas.

E é por toda a esperança que Cristo traz com sua vida que eu acredito, sim, num novo começo.

Feliz ano novo, pessoal.


3.25.2014

"Isso é só o começo"

Postado por PriAliança às 08:18 0 comentários
"Aqui chegamos, enfim
A um ponto sem regresso
Ao começo do fim
De um longo e lento processo
Que se apressa a cada ano
Como um progresso insano"
[Lenine, Isso é só o começo]

Só os mais chegados sabem (algumas) das dificuldades que eu tive que contornar pra estar presente na formatura de meus meninos de Ipanguaçu. E só meu amor conhece de fato todas elas - porque me acompanhou passo a passo. Tem quem diga "tanto aperreio pra assistir a uma cerimônia cansativa e pra estar na aula da saudade por apenas 40min?" 

Mas meu coração diz "valeu a pena".

Em geral nem os formandos conseguem curtir uma colação de grau do começo ao fim. Eu consegui. Eu nem sabia que estava "escalada" pra entrar junto com Info4V - minha primeira vez como paraninfa, gente, desculpa! =P Mas eu me senti quase uma noiva. E ver cada ex-aluno de novo, perceber como eles estão todos mais crescidos, mais altos, mais adultos - mais bonitos! - é uma experiência que mistura orgulho e assombro. O assombro vem tanto de ver como eles cresceram como de me perceber como eu envelheci. O assombro é super legítimo. O orgulho... talvez nem seja tão legítimo assim. Orgulho de quê? De ter passado 1h30 por semana com eles por um ano e meio? Tão pouco! O que cargas d'água pode acontecer em 1h30 que seja tão relevante assim, a ponto de me fazer sentir orgulho pelo sucesso alheio?

Eu não sei, mas eu senti. E queria tirar fotos e mostrar por mundo inteiro "olha, foi meu aluno! Olha, foi minha aluna!" Desculpem, meninos, por estar pegando carona no sucesso de vocês. Não posso evitar.

E a aula da saudade pra mim foi super curta, infelizmente. Como eu disse aos meninos, eu tinha prova final pra aplicar no dia seguinte às 7h em Parnamirim. Mas eu pude ver um pouco do que eu perdi quando fui remanejada pra SGA. Pude abraçar de novo alunos com quem vivi alguns dos momentos mais (in)tensos da minha vida docente. Alunos que eu achei que me odiassem - até descobrir que eles tinham me escolhido pra ser tutora da turma (vai entender?!). Passamos por muita coisa em apenas um ano e meio. Imagine o que eles não atravessaram nos outros 2 anos e meio! Teve briga, teve amor, teve mais briga, teve apatia, teve briga, teve preocupações, teve briga, teve Paulo Freire, teve um pouco mais de briga, teve "The Freedom Writers Diary", teve briga, teve aluna sumida (que me fez passar mais tempo na sala de Assis do que na sala dos servidores, perder noites de sono, querer sacudir gente pelos braços, desejar refugiar gente na minha própria casa), teve festa, teve bolo, teve comida adoidado, teve briga, teve gravidez e... eu já mencionei as brigas? Não? Então, teve briga também.

E agora, acabou.
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RÁ! PEGADINHA DO MALANDRO!

Acabou nada. "Isso é só o começo". Um novo começo com pessoas que não são mais as mesmas de 4 anos atrás. Pessoas que eu me orgulho de ter educado, ainda que só um pouquinho.

Um beijo grande da tia Pri, meninos. Qualquer coisa eu tô por aqui.


3.11.2014

A propósito do protesto do SINTE

Postado por PriAliança às 16:27 0 comentários

"Educação é importante", "educação tem que ser prioridade", "o mestre precisa ser valorizado". Até o primeiro protesto de professores atrasar sua chegada no trabalho. Até a primeira notícia de greve aparecer no jornal local - retratando os professores como mercenários. Até seu filho receber a primeira nota baixa.

Saia (ainda que mentalmente) do seu carrão e do seu escritório com ar-condicionado e se ponha no lugar do professor que anda 30min até o ponto, espera mais 20min, leva mais 40min pra chegar no "escritório" dele: uma sala apertada, com ventiladores quebrados e barulhentos, cheirando pó de giz, com o quadro estragado. E ainda 40 pessoinhas cheias de energia e nem sempre cheias de educação ou respeito.

Multiplique tudo isso por TRÊS TURNOS. E leve em conta que boa parte do trabalho do professor é feito em pé. E mais: se no seu fim de semana você tem o justo descanso, o professor comprometido vai ter sua ingrata paga: pilhas de provas pra elaborar; pilhas de trabalhos pra trabalhar; aqueles mil textos da especialização paga a muito custo pra dar conta da sua formação continuada.

Então, gente, da próxima vez que for reclamar de um protesto de professores... me exclua da sua TL antes, fazendo o favor.

NOTA: sim, minhas condições de trabalho são muito diferentes dessas que eu descrevi. Mas se isso me impedisse de me solidarizar com meus colegas de outras redes eu seria muito cretina.

1.18.2014

On the road (ou "Como subverter um leão por dia") - parte 2

Postado por PriAliança às 23:08 3 comentários
Vou tentar não incluir na minha narrativa elementos que possam expor ou constranger ninguém. Se alguém se sentir ofendido de alguma forma, deixe um comentário avisando, plix. não me processe. Eu não tenho dinheiro. Você vai gastar com advogado e eu nunca vou pagar sua indenização. Posso até ir presa, mas não tenho como pagar mesmo. Nada, nadinha.

Acaba amanhã a primeira semana do PDPI. Foi uma semana louca. É muita coisa pra internalizar de uma vez, pense! Outro clima, outro fuso-horário, outra rota de ônibus, um câmpus GIGANTE pra você testar seu GPS, horário de aulas totalmente diferente, comida diferente, informações de todo tipo, atividades extracurriculares pra você escolher, roupa pra lavar - que horas?! - dever de casa, pesquisa pra responder, uma saudade tirana... peeense num muído!

As acomodações são ótimas, o campus é lindo, as pessoas (em geral) são legais e prestativas, a comida tem sido uma grande diversão (pra mim; minhas colegas de quarto estão 2kg mais magras já, as póbi) e eu tenho uma professora simplesmente maravilhosa que eu já amo de paixão.

E eu tenho refletido um bom bocado e reavaliado uma série de coisas.

Uma coisa que aconteceu ontem e mexeu muito comigo foi o seguinte. A escola organizou uma confraternização (bacanééérrima, diga-se de passagem) pra que a gente conhecesse um grupo de professores de inglês japoneses que estava na UCI fazendo o mesmo que nós. Numa conversa com uma dessas professoras japonesas, perguntei de onde ela era. Segue o diálogo traduzido.

"Eu sou de Nagasaki."

"Nagasaki?! Jura? Nossa, que interessante!"

"Você conhece Nagasaki?!"

"Claro, por quê?"

"Porque aqui as pessoas com quem conversei nunca ouviram falar em Nagasaki!"

[eu, estupefata] "Como assim? As pessoas deste país nunca ouviram falar na cidade que ESTE PAÍS DESTRUIU?!"

Gente, ela estava se referindo a estudantes (e talvez até a professores) de uma universidade. Alguém me explique como é que o bombardeio de Nagasaki, simplesmente o evento que deu por encerrada a 2a Guerra Mundial, não fez parte do currículo escolar dessas pessoas?! Nem da vida civil comum! Eu aprendi sobre Nagasaki fora da escola, vendo televisão!!! Quando apareceu o assunto na aula de história, meus colegas tinham noção a respeito, como eu!

Nagasaki antes e depois da bomba atômica Fat Man.
Pois pasmem: aparentemente, isso não é ensinado nem discutido por aqui. Amanhã estou pensando em ir à igreja. Vou fazer o teste por lá, se me lembrar. Mas me digam: isso é sintomático ou eu que sou paranoica?

1.11.2014

Memórias ao tempo, memórias ao vento

Postado por PriAliança às 11:31 1 comentários
Estava no salão do hotel batendo papo. Por qualquer razão, comecei a relatar a morte de vovó Cy. E esse relato sempre me emociona profundamente.

Subi pro quarto, pra chorar. Chorei. Peguei O Arquipélago. E com ele na mão, ainda fechado, percebi que, três livros depois, ninguém lembra mais quem foi Ana Terra. Aquela mulher valente, dura na queda, apaixonada, que sofria tanto com a solidão da estância e depois conseguiu recomeçar com seu filho, a mulher que trouxe ao mundo os ancestrais de metade do povo de Santa Fé, que cortou tantos cordões umbilicais com sua tesoura - essa mulher simplesmente não existe mais. A memória dela morreu com Bibiana. Aliás, a própria Bibiana só vive hoje na memória de Rodrigo, Toríbio e Maria Valéria - e é a memória de uma idosa/avó que requeria cuidados. Ponto. Toda a luta dela pra reaver o chão dos Terra sob aquele sobrado que abriga a todos hoje foi esquecida. O punhal de Pedro Missioneiro? "Dizem que está na família há gerações." Gente! Aquele punhal tem a idade do Rio Grande!

Vovó morreu, mas a memória dela segue viva. Mas um dia eu e todos os que a amaram também vamos morrer. E minha amada vovó/diaconisa Cicy não passará de um registro aqui e outro ali.

É assim que as coisas são.

Não é triste?
 

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