1.11.2014

Memórias ao tempo, memórias ao vento

Postado por PriAliança às 11:31
Estava no salão do hotel batendo papo. Por qualquer razão, comecei a relatar a morte de vovó Cy. E esse relato sempre me emociona profundamente.

Subi pro quarto, pra chorar. Chorei. Peguei O Arquipélago. E com ele na mão, ainda fechado, percebi que, três livros depois, ninguém lembra mais quem foi Ana Terra. Aquela mulher valente, dura na queda, apaixonada, que sofria tanto com a solidão da estância e depois conseguiu recomeçar com seu filho, a mulher que trouxe ao mundo os ancestrais de metade do povo de Santa Fé, que cortou tantos cordões umbilicais com sua tesoura - essa mulher simplesmente não existe mais. A memória dela morreu com Bibiana. Aliás, a própria Bibiana só vive hoje na memória de Rodrigo, Toríbio e Maria Valéria - e é a memória de uma idosa/avó que requeria cuidados. Ponto. Toda a luta dela pra reaver o chão dos Terra sob aquele sobrado que abriga a todos hoje foi esquecida. O punhal de Pedro Missioneiro? "Dizem que está na família há gerações." Gente! Aquele punhal tem a idade do Rio Grande!

Vovó morreu, mas a memória dela segue viva. Mas um dia eu e todos os que a amaram também vamos morrer. E minha amada vovó/diaconisa Cicy não passará de um registro aqui e outro ali.

É assim que as coisas são.

Não é triste?

1 comentários:

Raoni disse...

Hum... e pelo que entendi, as qualidades de Ana Terra enquanto ser-no-mundo não foram cultivadas pelos descendentes, né?

 

Priscila Template by Ipietoon Blogger Template | Gadget Review